Atenção: devo sair comprando tudo o que meu filho quer?
- 10 de out. de 2016
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Os pais devem pensar muito, antes de sair comprando tudo o que o filho quer, pois isso vai moldar a maneira como ele vai lidar com o assunto quando adulto.
A criança é cheia de desejos, é imediatista e ainda não tem capacidade para ter pensamentos críticos sobre a publicidade voltada para ela. Conclusão: é seduzida e quer tudo naquele momento. Limitar seus desejos é o que vai ensiná-la a administrar suas vontades, questionar o que é realmente necessário e o que cada brinquedo ou objeto representa na sua vida. Sem esse treino, o risco é virar um adulto sem limites, que não sabe conviver com frustrações e, nos casos mais graves, pode até ultrapassar os limites da legalidade para conseguir o que quer.
Outro problema do consumismo infantil é que envolve o aprendizado de conceitos como valorização, status, felicidade. “Antigamente a criança contava os dias para o Natal, namorava a vitrine da loja, cobiçava, desejava, e quando o brinquedo chegava era uma recompensa. Hoje ela pensa e tem. O brinquedo não é valorizado e fica logo esquecido. A criança aprende a lidar com o mundo dessa forma”, alerta a psicóloga Ana Merzel Kernkraut, coordenadora do Departamento de Psicologia do Hospital Israelita Albert Einstein. Aos adultos cabe a tarefa de resgatar o valor real de ganhar um presente e também o significado dele, já que para crianças e adolescentes é muito fácil o último game ou celular se tornarem símbolo de poder e status.
Consumir não é ruim. Mas, pelos motivos errados, sim. Hoje, com o excesso de opções, preços mais acessíveis e situações econômicas mais favoráveis, fica difícil resistir a uma vitrine cheia de brinquedos coloridos e à chance de agradar ao filho. E se esquece da pergunta básica: ele realmente precisa disso? Orientar-se pela resposta é a melhor maneira de consumir de forma saudável.
Pode ser difícil para os pais evitar o consumismo por três motivos:
A frase “precisar disso” abrange muitas variáveis, que podem ir desde “esse brinquedo vai fazê-lo se sentir mais enturmado” até “ele precisa ter contato com essas novas tecnologias, pois elas são o futuro”. Com tantas possibilidades e expectativas, é necessário avaliar se realmente o brinquedo terá aquela função. Ou até se não é o décimo quinto produto comprado com esse intuito que não resultou em nada.
Nos tempos atuais, chegar em casa com um presente para o filho também significa compensar a nossa falta de tempo para eles. É uma forma de se manter presente, de dizer que o ama, de garantir o amor dele e ter a certeza de que está feliz. É bom saber que nenhum brinquedo substituirá esses sentimentos. O ideal é arregaçar as mangas, organizar os horários e passar mais tempo com o filho.
Dizer não é bastante difícil. “Ensinar o não significa repetir isso muitas vezes. É trabalhoso e cansativo”, diz Ana Merzel. Quando os pais conseguem manter o não, os filhos se tornam mais resistentes a frustrações, aprendem a administrar suas emoções quando algo que querem não acontece, o que será fundamental no seu futuro.
http://www.einstein.br/einstein-saude/guias-tematicos/crianca-e-adolescente/consumo/Paginas/comportamento-dos-pais.aspx

























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